Industria 4.0 – Se você ainda não conhece, vai ouvir falar muito em breve

O termo 4.0 está na moda. Cada dia encontramos mais e mais referências, modelos de projetos e exemplos de aplicabilidade em diversos segmentos. Em uma busca rápida na internet, poderá encontrar algumas dezenas de artigos e vídeos sobre a 4ª Revolução Industrial, Industria 4.0 ou ainda Metrologia 4.0, Controle Estatístico do Processo (CEP) 4.0, Logística 4.0 e RH 4.0. Todas elas buscam informar ao público que este é um caminho sem volta.   

Para entender um pouco como chegamos a este cenário, temos que voltar nossa atenção para a Feira de Hanover, em 2011, quando o governo da Alemanha apresentou o conceito da 4ª Revolução Industrial pela primeira vez, após identificar a necessidade de repensar os processos de fabricação e logística, de modo a entregar ao consumidor produtos cada vez mais personalizados, com qualidade e preços acessíveis, não desconsiderando a melhoria da produtividade, que deveria ser uma busca constante de qualquer empresa de manufatura.

E como não há fórmulas mágicas, os olhares se voltaram para a tecnologia e a internet, que oferecem hoje uma série de ferramentas de conectividade, para aproximar o mundo virtual e o físico, possibilitando inúmeras melhorias na manufatura.


Fonte: <a href=”https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/negocio”>Negócio vetor criado por vectorpouch – br.freepik.com</a>

Mas, podemos nos perguntar: se este movimento iniciou em 2011, por que ainda é difícil conhecer estas oportunidades e implementa-las em nosso dia a dia? Eis algumas respostas, porém não únicas e exclusivas.

  • De acordo com dados do Ministério do Comércio, Indústria e Serviços, o Brasil ocupa o 69º lugar1 no índice Global de inovação, demonstrando que o país investe pouco para o crescimento da produtividade, pesquisa e desenvolvimento (P&D), educação e exportações de produtos de alta tecnologia. O que temos na maioria das fábricas, são processos automatizados funcionando em conjunto com etapas e/ou controles manuais, sem conexão de informações.
  • Mesmo com dados significantes de eficiência e economia nas linhas de produção, os investimentos para adequação das plantas ainda são vistos como altos.  Recentemente, a Mercedes-Benz do Brasil investiu R$500.000.000,00 de reais na linha fabril de montagem de caminhões em São Bernardo do Campo – SP, adotando as principais tecnologias da Industria 4.02. Considerando a situação política e econômica do país, os últimos anos não foram favorecidos com grandes investimentos, para empresas atuantes no território nacional.    
  • Para o mercado farmacêutico, a complexidade de validação, revalidação dos processos e a alteração das informações nos registros dos produtos junto a ANVISA, complementando-se com a rastreabilidade para os medicamentos que em breve será uma realidade e demandará mudanças significativas na produção, muitos projetos foram ou estão sendo desenhados, mas não ganham força para sair do papel.  

Mas isso não significa que nada está sendo feito. Há muitas empresas trabalhando para usufruir do título de Empresas Inteligentes, como estão sendo chamadas aquelas que implementam as tecnologias 4.0. E para poder auxiliar a sua empresa a decidir por onde começar em meio a tantas opções, separamos alguns exemplos de aplicabilidade que estão sendo apresentados no Brasil.

De acordo com Ricardo Gonçalves da Pollux3, a avaliação de implementação dentro das empresas pode partir de 3 Pilares:

  

  • Digitalização:  Reproduzir o que se tem no chão de fábrica no computador, para simular melhorias sem grandes custos.
  • Conectividade: Ter todos os equipamentos conectados entre si, de forma que a informação flua automaticamente.
  • Adição de outras tecnologias:  Há muitas oportunidades a serem consideradas, como impressão 3D e robótica.

Já há modelos e cases que podem ser avaliados, assim como as vantagens competitivas e de economia para empresas que desejem seguir por esta trilha, para iniciar o caminho da Indústria 4.0.    

Outra oportunidade de integração de tecnologias, foi apresentada por Diego Melo, diretor de Contas LATAM da OPTEL GROUP, durante a Conferência de Tecnologia promovida pela empresa. Segundo ele, o estudo dos processos que terá de ser feito para implementar a rastreabilidade, pode ser utilizado também para se avaliar as oportunidades de melhoria e inclusão das tecnologias na manufatura, principalmente as relacionadas a integração de equipamentos e geração de dados.

E as tecnologias da Indústria 4.0 não param por aí. Temos outras como Big data, Sensores inteligentes, Interface homem-máquina, Plataformas IOT, Computação em nuvem e Realidade aumentada que estão sendo cada vez mais conhecidos e sua aplicabilidade estudada.

Não podemos nos esquecer da mudança no perfil do trabalho para os próximos anos, pois as novas tecnologias exigem também profissionais com novas habilidades. De acordo com estudo realizado pela consultoria americana McKinsey4, estima-se que até 2030 entre 75 e 375 milhões de pessoas em todo o mundo, terão de se adaptar às novas rotinas em seus postos de trabalho, para mantê-los.

E esta preparação pode começar se conhecendo as tecnologias disponíveis, acompanhando notícias do mercado e se aprofundando nas mais relacionadas a sua área de atuação. Certamente o sonho mais perfeito é que as empresas e profissionais possam se beneficiar de todas essas mudanças, inserindo o nosso Brasil com representatividade neste novo cenário a Industria 4.0.

 

Texto escrito por: Drª Camila Machado 

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